Album Cover Vida Loka, Pt. 2

Vida Loka, Pt. 2

Racionais MC's

6

Firmeza total, mais um ano se passando aí

Graças a Deus a gente tá com saúde aí, morô?

Muita coletividade na quebradaDinheiro no bolso, sem miséria, e é nóis

Vamos brindar o dia de hoje

Que o amanhã só pertence a Deus, a vida é loka

Deixa eu fala p′rocê

Tudo, tudo, tudo vai, tudo é fase, irmão

Logo mais vamo arrebentar no mundão

De cordão de elite, 18 quilates

Põe no pulso, logo um Breitling, que tal? Tá bom?

De lupa Bausch & Lomb, bombeta branco e vinho

Champanhe para o ar, que é pra abrir nossos caminho

Pobre é o Diabo, e eu odeio a ostentação

Pode rir, ri, mais não desacredita, não

É só questão de tempo, o fim do sofrimento

Um brinde pros guerreiro, Zé povinho eu lamento

Vermes que só faz peso na Terra

Tira o zóio', tira o zóio′, vê se me erra

Eu durmo pronto pra guerra e eu não era assim

Eu tenho ódio e sei o que é mau pra mim

Fazer o quê se é assim, vida loka cabulosa

O cheiro é de pólvora e eu prefiro rosas

E eu que, e eu que sempre quis um lugar

Gramado e limpo, assim, verde como o mar

Cercas branca, uma seringueira com balança

Disbicando pipa, cercado de criança

Oh, oh, Brown, acorda, sangue bom

Aqui é Capão Redondo, tru, não Pokémon

Zona sul é o invés, é estresse concentrado

Um coração ferido por metro quadrado

Quanto mais tempo eu vou resistir

Pior que eu já vi meu lado bom na UTI

Meu anjo do perdão foi bom, mas tá fraco

Culpa dos imundo do espírito opaco

Eu queria ter, pra testar e ver um malote

Com glória, fama, embrulhado em pacote

Se é isso que cês quer, vem pegar

Jogar num rio de merda e ver vários pular

Dinheiro é foda, na mão de favelado é mó guela

Na crise, vários Pedra 90 esfarela

Vou jogar pra ganhar, o meu money vai e vem

Porém quem tem, tem, não cresça o zóio' em ninguém

O que tiver que ser, será meu

Tá escrito nas estrela, vai reclamar com Deus

Imagina nóis de Audi ou de Citroën

Indo aqui, indo ali, só pam que vai e vem

No Capão, no Apurá, vou colar na Pedreira

Do São Bento, na Fundão, no pião sexta-feira

De teto solar o luar representa

Ouvindo Cassiano, há, os gambé não 'guenta

É, mas se não der, nego, o quê que tem?

O importante é nóis aqui, junto ano que vem

E o caminho da felicidade ainda existe

É uma trilha estreita, é em meio à selva triste

Quanto cê paga pra ver sua mãe agora

E nunca mais ver seu pivete ir embora

Dá a casa, dá o carro, uma Glock e uma FAL

Sobe cego de joelho mil e cem degrau

Quente é mil grau, o que o guerreiro diz

O promotor é só um homem, Deus é o juiz

Enquanto Zé povinho apedrejava a cruz

E o canalha, fardado, cuspiu em Jesus

Ó, aos 45 do segundo arrependido

Salvo e perdoado. é Dimas, o bandido

É loko o bagulho, arrepia na hora, ó

Dimas, primeiro vida loka da história

Eu digo: Glória, glória, sei que Deus tá aqui

E só quem é, só quem é vai sentir

E meus guerreiro de fé, quero ouvir, quero ouvir

E meus guerreiro de fé, quero ouvir, irmão

Programado pra morrer nóis é

(Ao lado direito do pai) certo é certo é

É crer no que der (é quente)

Firmeza

Não é questão de luxo, não é questão de cor

É questão que fartura alegra um sofredor

Não é questão de preza, nego, a ideia é essa

Miséria traz tristeza e vice-versa

Inconscientemente vem na minha mente inteira

Na loja de tênis, o olhar do parceiro feliz

De poder comprar o azul, o vermelho

O balcão, o espelho, o estoque, a modelo

Não importa, dinheiro é puta e abre as porta

Dos castelo de areia que quiser

Preto e dinheiro são palavras rivais, é!

Então mostra pra esses cu como é que faz

O seu enterro foi dramático como um blues antigo

Mas de estilo, me perdoe, de bandido

Tempo pra pensar, quer parar, quê cê quer?

Viver pouco como um rei ou muito como um Zé?

Às vezes eu acho que todo preto como eu

Só quer um terreno no mato, só seu

Sem luxo, descalço, nadar num riacho

Sem fome, pegando as fruta no cacho

Aí truta, é o que eu acho, quero também

Mas em São Paulo, Deus é uma nota de 100

Vida loka!

Porque o guerreiro de fé nunca gela

Não agrada o injusto e não amarela

O rei dos reis foi traído e sangrou nessa Terra

Mas morrer como um homem é o prêmio da guerra

Mas ó, conforme for, se precisar

Afogar no próprio sangue e assim será

Nosso espírito é imortal, sangue do meu sangue

Entre o corte da espada e o perfume da rosa

Sem menção honrosa, sem massagem

A vida é loka, nego, nela eu tô de passagem

À Dimas, o primeiro!

Saúde, guerreiro!

Dimas!